Após uma década marcada por picos históricos, quedas abruptas e uma retomada gradual, o contencioso trabalhista brasileiro encerra 2025 em um novo patamar. Levantamento inédito da Predictus, empresa especializada em dados judiciais, mostra que foram ajuizadas 2,47 milhões de ações trabalhistas no país ao longo do ano passado, consolidando uma tendência de crescimento iniciada no pós-pandemia, embora ainda abaixo do recorde de 2016.
O número representa um aumento de quase 31% em relação a 2022, quando o volume havia recuado para menos de 1,9 milhão de processos, reflexo direto da crise sanitária e dos efeitos ainda recentes da Reforma Trabalhista de 2017.
Mesmo com essa recuperação, o total de ações em 2025 permanece cerca de 19% inferior ao pico histórico registrado há quase uma década, indicando que o mercado entrou em uma nova normalidade judicial.
Um dos dados mais reveladores do estudo é a concentração das ações em grandes empregadores. As 100 empresas mais acionadas do país responderam por 431,511 mil processos em 2025, o equivalente a 13,6% de todas as reclamações trabalhistas. Na prática, cada uma dessas companhias enfrentou, em média, mais de 4,3 mil novas ações no ano, enquanto a imensa maioria das demais empresas apareceu apenas uma ou duas vezes nos tribunais trabalhistas.
“O que os dados mostram é uma dualidade clara: grandes corporações lidam com um contencioso massificado e permanente, enquanto pequenas e médias empresas enfrentam litígios pontuais. Isso exige estratégias completamente diferentes de gestão trabalhista”, analisa o fundador e especialista em dados judiciais Hendrik Eichler.
Principais causas dos processos
No recorte das principais causas, o retrato de 2025 reforça conflitos recorrentes nas relações de trabalho. Horas extras lideram o ranking, presentes em 25,7% das ações, seguidas por verbas rescisórias (20,4%) e adicional de insalubridade (20,2%). Juntas, essas três categorias concentram cerca de dois terços de toda a litigiosidade trabalhista no país, evidenciando que disputas ligadas à jornada e ao encerramento do contrato continuam no centro das reclamações.
Outro destaque do levantamento é o alto índice de acordos. Em 2025, 30,8% dos processos julgados foram encerrados por homologação de transação, confirmando o papel da Justiça do Trabalho como mediadora de soluções consensuais. Somados aos casos extintos após o cumprimento da sentença, mais da metade das ações teve desfecho sem uma decisão totalmente favorável ou desfavorável às partes.
A análise também aponta uma relação direta entre o ambiente econômico e o comportamento judicial dos trabalhadores. Com a taxa de desemprego recuando para 6,2% em 2025, o menor nível da década, houve maior confiança para buscar direitos na Justiça. “Em momentos de maior segurança no mercado de trabalho, o trabalhador tende a litigar mais. A queda do desemprego veio acompanhada da retomada das ações”, destaca a Predictus.
Para os próximos anos, o estudo sugere que o Brasil deve manter volumes elevados de ações trabalhistas, ainda que distantes dos extremos do passado. O cenário de 2025 funciona como um retrato fiel de um sistema que se adaptou às mudanças legais, superou a pandemia e agora opera em um equilíbrio intermediário: menos processos do que antes da reforma, mas ainda entre os maiores volumes do mundo.
Fonte: Assessoria da Predictus
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