Nesse terceiro trimestre de 2025, as empresas em recuperação judicial cresceram 6,4% em comparação com o trimestre anterior e mais de 15% desde o início do ano, totalizando 5.285 companhias em recuperação judicia, reflexo direto do aperto financeiro enfrentado especialmente pelas pequenas e médias empresas.
O Brasil atingiu o patamar crítico de 8,1 milhões de empresas inadimplentes em setembro deste ano (16% vs mesmo período do ano anterior) – equivalente a mais de 30% dos negócios ativos no país segundo dados da Serasa Experian.
Além de registrar a menor quantidade absoluta de recuperações judiciais, o Norte também apresenta o menor índice relativo do país. Pará, Amazonas e Tocantins concentram mais de 80% dos casos da região. No entanto, o Pará foi responsável por 67% do crescimento no trimestre, enquanto Amazonas e Tocantins permaneceram estáveis.
O setor de serviços lidera com 54% dos negócios no vermelho, seguido pelo comércio com 34% e indústria com 8%. Grandes empresas também foram atingidas: Bombril, Gol, Casa do Pão de Queijo e Casas Bahia são apenas alguns exemplos emblemáticos de companhias tradicionais que precisaram buscar proteção judicial.
A empresa de consultoria empresarial RGF dispõe de um Monitor com o panorama das empresas em recuperação judicial em todo o país. Os resultados da busca trazem uma visão mais completa e comparável do cenário nacional, com recortes por pilar econômico e análises por região e estado, permitindo leituras mais precisas sobre onde a crise empresarial se concentra.
Cenário que impacta as empresas
• Despesa financeira e caixa. Selic a 15% a.a. mantém custo da dívida elevado, afetando caixa, comprimindo giro/CAPEX e dificultando alongamentos.
• Câmbio e importados. O dólar mais forte encarece insumos, pressiona margens e eleva serviço da dívida em USD.
• Crédito seletivo. Mesmo dois anos após o choque das Americanas, bancos e fundos seguem cautelosos, exigindo mais garantias, praticando spreads mais altos e oferecendo prazos mais curtos. Mesmo empresas de outros setores têm enfrentado um olhar mais rígido das instituições financeiras nas análises e liberações de crédito.
• Comércio exterior. O “tarifaço” dos EUA sobre determinados produtos brasileiros impactou as margens de exportadores nacionais. Além disso, a instabilidade da demanda chinesa pressiona os volumes e preços em cadeias industriais e de commodities.
• ‘Dinheiro novo’: as instituições financeiras exigindo garantias e seguranças que, na maioria dos casos, já estão comprometidas, o que acaba inviabilizando a injeção de novo capital.
Como as empresas devem atuar neste cenário
Empresas que apresentam resultados abaixo do esperado precisam agir com agilidade e estrutura. Adiar decisões em um contexto de incerteza costuma ser o primeiro passo rumo à recuperação judicial e, muitas vezes, ao insucesso desse processo. A adoção antecipada de medidas corretivas, tanto financeiras quanto operacionais, é o principal diferencial entre uma reestruturação preventiva bem-sucedida e uma crise irreversível.
• Liquidez: monitoramento rigoroso do caixa, com planos de preservação para cenários adversos e resultados abaixo do esperado.
• Passivos: renegociação focada em alongamentos sustentáveis, já que as taxas de juros seguem elevadas.
• Garantias: revisão e organização da estrutura de garantias, buscando liberar ativos e reduzir riscos, o que facilita futuras negociações de crédito.
• Custos e despesas: ajustes contínuos para proteger margens e manter resultados em patamares saudáveis.
• Câmbio: adoção de hedge sobre insumos e receitas e cláusulas contratuais de repasse.
• Comércio exterior: diversificação de mercados, revisão do mix de produtos e uso de engenharia tributária/comercial para mitigar impactos tarifários.
• Operações: programas de eficiência (Opex/Capex), revisão de processos logísticos e gestão de estoques conforme a sazonalidade da demanda.
• Governança de crise: acompanhamento diário do caixa e da execução das ações de curto prazo, com indicadores e controles bem definidos.
FONTE: Assessoria da RGF Consultoria
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