Produção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável na Amazônia: Ciência, Tecnologia e Trabalho Verde na Implementação de Políticas Públicas Comunitárias
O projeto “Entre o Mercado e a Moralidade” propõe um modelo sustentável de proteção ambiental ao longo da BR-319, transformando comunidades ribeirinhas, tradicionais e indígenas em agentes ambientais ativos. A iniciativa, custeada pela própria pesquisadora ao longo de cinco anos e idealizada em conjunto com outros autores, articula ciência, tecnologia e saberes locais para implementar mecanismos de créditos de carbono como instrumentos de justiça climática, inclusão social e geração de renda verde.
O trabalho de pesquisa “Entre o Mercado e a Moralidade: Mecanismos de Créditos de Carbono em Comunidades Tradicionais e Ribeirinhas no Amazonas através de Ferramentas da Indústria 5.0” foi apresentado na COP 30, em Belém do Pará, como proposta de justiça climática e geração de renda verde. Trata-se de um projeto de pesquisa custeado integralmente pela própria pesquisadora ao longo de cinco anos, idealizado em conjunto com outros autores que reconhecem sua natureza inovadora e transformadora.
A iniciativa, que busca investimentos voltados ao desenvolvimento sustentável da Amazônia, abrange os 62 municípios do Estado do Amazonas, mas tem início estratégico nos municípios de Careiro da Várzea e Careiro Castanho, justamente pelo foco nas áreas de conservação e preservação ambiental ao longo da BR-319. O projeto propõe uma transformação profunda: tornar ribeirinhos, comunidades tradicionais e povos indígenas em agentes ambientais ativos, responsáveis pela fiscalização e proteção das Unidades de Conservação.
O projeto apresentado na COP 30 cria os chamados portais de segurança ambiental, que aliam tecnologia, justiça climática e geração de renda por meio de créditos de carbono. A proposta visa melhorar significativamente a qualidade de vida desses trabalhadores, ao mesmo tempo em que fortalece a proteção da floresta. A estratégia inclui capacitação, monitoramento e uso de ferramentas da Indústria 5.0 para multiplicar o número de agentes ambientais, promovendo um ciclo virtuoso de produção, cuidado e regeneração. Além disso, o projeto abre caminho para discutir a viabilidade da abertura da BR-319 sob critérios rigorosos de sustentabilidade e preservação. Com registro formal e em fase de construção, a iniciativa busca parceiros e investidores comprometidos com soluções climáticas de impacto social profundo, em que a floresta é protegida por quem vive dela e com ela.
O projeto propõe ainda um modelo de gestão ambiental comunitária no Amazonas, com foco na aplicação dos créditos de carbono como instrumento de justiça climática, inclusão social e geração de renda verde. A iniciativa parte da pesquisa universitária e busca transformar comunidades ribeirinhas e tradicionais em protagonistas da conservação, substituindo a lógica assistencialista por capacitação técnica, valorização territorial e governança transparente.
O projeto já despertou interesse internacional, incluindo do Embaixador da COP 30, e busca atrair recursos para o Estado por meio de parcerias com universidades, órgãos ambientais e empresas comprometidas com a compensação de carbono.
Diferenciais do modelo amazônico : a) Início em Careiro da Várzea e Careiro Castanho, com mapeamento territorial e humano via software próprio; b) Formação de agentes ambientais locais, com foco em jovens e lideranças comunitárias; c) Diagnóstico técnico das áreas de conservação e potencial de sequestro de carbono; d) Desenvolvimento de tecnologias acessíveis para monitoramento e validação das ações; e) Mediação sociocultural com respeito aos saberes tradicionais e protocolos éticos; e) Estrutura jurídica transparente, com contratos justos e repartição de benefícios; f) Integração sistêmica: planejamento territorial, licenciamento, educação ambiental, resíduos, saneamento, biodiversidade e clima.
O projeto propõe uma abordagem abrangente e sistêmica, especialmente relevante diante da ausência de certas estruturas no estado do Acre. A iniciativa articula áreas essenciais como: a) Planejamento territorial; b) Licenciamento e fiscalização ambiental; c) Educação ambiental; d) Gestão de resíduos sólidos; e) Saneamento básico; e) Biodiversidade; f) Mudanças climáticas.
Destaca-se pela organização institucional, com potencial para envolver conselhos deliberativos, comitês técnicos e sistemas digitais de gestão, promovendo eficiência, transparência e participação social.
Justiça Climática e Renda Verde como fonte da pesquisa: O conceito de justiça climática parte da premissa de que os impactos das mudanças climáticas não são distribuídos de forma igualitária. Povos da floresta, que historicamente menos contribuem para a emissão de gases de efeito estufa, são os que mais sofrem com seus efeitos. O projeto busca corrigir essa desigualdade ao propor que comunidades amazônicas sejam remuneradas por sua atuação direta na proteção ambiental, por meio da geração de créditos de carbono e da criação de uma renda verde.
Os Impacto Internacional e Perspectivas: A iniciativa já despertou interesse internacional e busca atrair recursos por meio de parcerias com universidades, órgãos ambientais e empresas comprometidas com a compensação de carbono. O projeto se insere em um movimento global que reconhece a necessidade de soluções climáticas com impacto social profundo. Ao propor que a floresta seja protegida por quem vive dela e com ela, o projeto reafirma a centralidade das comunidades amazônicas na luta contra a crise climática. Mais do que uma proposta técnica, trata-se de um projeto político e ético, que coloca a moralidade como contraponto às pressões do mercado.
A Gestão Aberta e Participativa, aberta como regra do projeto: O projeto foi pensado com uma gestão aberta e participativa, em que a União, o Estado e os Municípios, dentro de suas competências e atribuições, são chamados para serem parceiros na execução das ações. Entre as possibilidades previstas, destaca-se o auferimento de créditos de carbono em terras griladas e degradadas, mediante processos de reflorestamento em parceria com as comunidades locais.
Essa estratégia traz lucratividade como ponto de apoio para o aparelhamento dos órgãos ambientais, que necessitam de tecnologia de ponta, e para a formação dos agentes ambientais verdes, capacitados para explorar o crédito e fiscalizar os portais de segurança com as tecnologias da Indústria 5.0.
O mais importante é que todo esse trabalho poderá ter acompanhamento em tempo real pelos investidores que estarão financiando a iniciativa. Foram previstos setores específicos para todos os órgãos envolvidos, permitindo que acompanhem, fiscalizem e atuem também como apoiadores intelectuais do projeto. Entre eles, promotores de justiça, pesquisadores, juízes capacitados para mediações, órgãos ambientais como a Funai e outros, que estarão próximos de todas as tratativas da pesquisa e da execução, conduzidas pela Universidade do Estado do Amazonas em parceria com outras instituições.
PESQUISASDORES -CO-AUTORES
- Dr. Daniel Nascimento Silva – IPHAN;
- Dr. Flávio Humberto Pascarelli – ESMAM
- Dr. Denison Melo de Aguiar – UEA
PESQUISADORES PARCEIROS DO PROJETO
- Dra. Glaucia Ribeiro – UEA- PPGDA – Coordenadora
- Dr. Alcian Souza – UEA-Tecnologia e Inovação-LAWin/UEA
- Dra. Dorinethe dos Santos Bentes – UFAM
- Msc. Neibe da Silva Araujo Junior – UFAM- MSC – Relações Internacionais
* Este é um texto opinativo e não reflete, necessariamente, a opinião do AmazonJus. Nossos articulistas têm liberdade de estilo e exposição de ideias.
Imagem: IA
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