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MPF-AM inicia negociação para criar espaço de homenagem a Bruno Pereira e Dom Philips

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O Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas intensificou as tratativas para viabilizar a concretização e a manutenção de um espaço de memória dedicado ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista britânico Dom Phillips, vítimas de homicídio na região do Vale do Javari, extremo oeste do Amazonas, há três anos.

No último mês, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) participou de reunião com os procuradores da República lotados na Procuradoria da República no Município de Tabatinga, que atende as cidades da região e o Vale do Javari, para levantamento de informações. Outros encontros virtuais vão discutir as medidas para viabilização, criação e manutenção, pelo Estado brasileiro, desse espaço de memória, com posterior participação de familiares das vítimas.

A atuação, assumida pela PRDC, tem o objetivo de acompanhar os atos praticados pela União para concretizar as medidas cautelares fixadas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a fim de garantir o direito à memória e à verdade, à cidadania (art. 1º, II, da Constituição Federal), à dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF), à informação (art. 5º, XIV, da CF) e ao patrimônio cultural (art. 216, caput, da CF).

Para viabilizar a criação do espaço e a conservação das medidas já realizadas, reuniões e encontros virtuais com órgãos federais estão sendo realizados.

Bruno e Dom – No dia 5 de junho de 2022, Bruno Pereira e Dom Philips foram assassinados por motivo torpe e de forma cruel, sem chance de defesa, nas proximidades da Terra Indígena Vale do Javari, no município de Atalaia do Norte (AM), inserido em uma das maiores reservas de indígenas em isolamento voluntário do mundo. Na época, Dom trabalhava em um livro sobre a preservação da Floresta Amazônica e estava sendo acompanhado por Bruno, que havia agendado encontros e entrevistas com lideranças locais.

Bruno Pereira era um dos maiores especialistas em indígenas em isolamento voluntário do Brasil, servidor de carreira da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) – licenciado do órgão desde 2019, trabalhava como consultor para a União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja). Segundo a organização, ele recebia constantes ameaças de garimpeiros, madeireiros e pescadores ilegais por sua atuação em defesa dos povos tradicionais e do meio ambiente da região.

Dom Phillips era um jornalista inglês veterano na cobertura internacional que já havia trabalhado para veículos como Washington Post, The New York Times e Financial Times e, à época, colaborava com o jornal inglês The Guardian. Com mais de 15 anos no Brasil, Dom escreveu inúmeras reportagens denunciando atividades criminosas e desmatamento na região amazônica e estava no Vale do Javari entrevistando indígenas e ribeirinhos para um livro sobre a Amazônia.

Fonte: MPF-AM

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Autoria
Liege Albuquerque

Liege Albuquerque é jornalista há 30 anos, graduada em Jornalismo pela Ufam e mestre em Ciências Políticas pela USP. Teve passagem por veículos como Folha de S. Paulo, Veja, O Globo, O Estado de S. Paulo, A Crítica e Diário do Amazonas. Foi ainda correspondente de O Estado de S. Paulo no Amazonas e professora de Jornalismo na Uninorte, Nilton Lins e Fametro. Atualmente é redatora efetiva na Câmara Municipal de Manaus.

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